Na tarde desta segunda-feira (27/04), o setor de gestão de pessoas do Conselho Federal de Administração realizou uma palestra sobre o mapeamento de fatores psicossociais previsto na NR-1. A iniciativa teve caráter informativo e apresentou conceitos, funcionamento e mecanismos de mensuração estabelecidos pela norma.
Segundo o psicólogo e palestrante Jonathan Silva, que também é integrante do setor de gestão de pessoas, a NR-1 é considerada a norma estruturante da segurança e saúde no trabalho no Brasil. Em sua atualização mais recente, realizada em 2024, passou a incorporar a prevenção de riscos psicossociais como um de seus principais avanços.
Para enfrentar esse cenário, a norma estabelece a obrigatoriedade do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O processo envolve a identificação de perigos, a avaliação de riscos, a implementação de medidas de controle e o monitoramento contínuo das situações relacionadas ao trabalho.
“De acordo com o Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, os transtornos mentais já são a segunda maior causa de adoecimentos ocupacionais. Eles representam 8,35% dos casos, ficando atrás apenas das dores nas costas”, destacou Silva.
Como funciona
O mapeamento de riscos não tem como objetivo avaliar a saúde mental individual dos trabalhadores. O foco está na análise das condições, da organização e dos modelos de gestão do trabalho que possam contribuir para o adoecimento das equipes.
Entre os principais fatores de risco estão a sobrecarga de trabalho, o assédio em suas diversas formas e a baixa autonomia nas atividades. Também se destacam metas irreais, cobranças excessivas, falta de apoio institucional e pouca clareza na definição de funções.
A abordagem prevista pela NR-1 para o mapeamento de riscos integra conhecimento técnico à produção e análise de dados baseados em evidências. Além disso, prioriza a segurança jurídica e a melhoria contínua dos resultados organizacionais.
No âmbito do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o objetivo central é eliminar ou evitar os perigos sempre que possível. Do contrário, a diretriz é adotar medidas eficazes para reduzir ou controlar os riscos identificados.
“A norma diferencia o perigo de risco. Perigo é qualquer elemento ou situação com potencial de causar lesões ou agravos à saúde, já o risco ocupacional só se configura quando há exposição do trabalhador a esse perigo”, explica Silva.
Na sequência, o palestrante destacou que a mensuração dos riscos na NR-1 ocorre por meio de uma matriz que considera probabilidade e severidade. Essa metodologia permite classificar o nível de risco e orientar a tomada de decisão nas organizações.
Passos preliminares
De acordo com o diretor da Câmara de Administração e Finanças (CAP), Francisco Costa, onde o setor de gestão de pessoas está inserido, para enfrentar os riscos psicossociais, é fundamental avaliar a necessidade de apoio especializado ao colaborador. Esse processo pode ser iniciado tanto pelo próprio trabalhador quanto pela organização.
“Também é essencial envolver toda a estrutura da empresa, incluindo a alta direção, nas ações de prevenção. A definição clara de responsabilidades e a comunicação transparente com os colaboradores completam as diretrizes iniciais do processo”, destacou.
Leon Santos
Assessoria de Comunicação do CFA
