A gestão pública esteve no centro das discussões nesta terça-feira (15), em Belo Horizonte. Realizado no auditório do Conselho Regional de Administração de Minas Gerais (CRA-MG), o Workshop de Gestão Pública reuniu profissionais de Administração, representantes do Sistema CFA/CRAs e participantes presenciais e on-line para debater o papel da Administração na melhoria dos serviços públicos e apresentar instrumentos capazes de apoiar a tomada de decisões nos municípios.
Promovido pelo CRA-MG e pelo Conselho Federal de Administração (CFA), o encontro foi conduzido pela Câmara de Gestão Pública do CFA e integra uma programação de atividades voltadas à aproximação dos profissionais de Administração com a gestão municipal.
Na abertura, o presidente do CRA-MG, Adm. Jehu Aguiar, destacou a importância da iniciativa e do envolvimento dos profissionais de Administração com a gestão pública. Segundo ele, o espaço dos 853 municípios mineiros representa uma oportunidade para que administradores contribuam de forma mais efetiva com o poder público.
“Para Minas Gerais, esse é o meu cenário. Nós somos 853 municípios, então há espaço para a gente poder apresentar esse meio, para a gente poder participar dessas discussões”, afirmou.
Um dos destaques do workshop foi o Índice CFA de Governança Municipal (IGM-CFA). Desenvolvida pelo CFA há dez anos, o índice reúne indicadores que permitem analisar diferentes aspectos dos municípios e estabelecer comparações entre cidades, estados e regiões. A proposta é oferecer informações que contribuam para uma visão mais ampla da realidade da administração municipal e possam subsidiar o planejamento e a tomada de decisões.
Ao abordar o IGM-CFA, Jehu Aguiar ressaltou o caráter acessível da ferramenta e a possibilidade de diferentes públicos utilizarem seus dados.
“O IGM é uma ferramenta desenvolvida pelo Conselho Federal de Administração para utilização em todo o Brasil, através dos Conselhos Regionais de Administração, que leva para a sociedade um conjunto de indicadores que classificam municípios”, explicou.
O vice-presidente do CFA, Adm. Gilmar Camargo, também ressaltou o potencial do IGM-CFA como instrumento de aproximação entre o Sistema CFA/CRAs e as administrações municipais. Segundo ele, a ferramenta vem sendo utilizada inclusive por candidatos e gestores municipais como fonte de informação para compreender a realidade das cidades e identificar pontos que demandam atenção.
“Cada vez mais o IGM está se tornando uma ferramenta fundamental para as prefeituras, para a gestão pública e para os acadêmicos nas cidades por onde nós vamos, falando do IGM para eles conhecerem. Sem dúvida, é uma ferramenta realmente de extrema importância para todos nós, e nós temos orgulho de apresentar”, afirmou Gilmar.
O diretor de Gestão Pública do CFA, Adm. Emerson Clayton Arantes, iniciou o workshop abordando a importância das entidades de controle social.
“Tudo isso faz parte de uma construção teórica que começa ainda na década de 1970 e que, ao longo dos anos 1980, vai avançando e se consolidando no cenário internacional, até evoluir para aquilo que hoje entendemos como governança”, disse, ressaltando que, partir daí, essa discussão vai evoluindo, incorporando novos instrumentos de controle, transparência e responsabilização, até chegarmos ao modelo de governança que conhecemos hoje.
Em seguida, o coordenador de Gestão Pública do CFA, Adm. Marcelo Gomes, aprofundou conceitos relacionados ao IGM-CFA. “O CFA desenvolveu essa ferramenta, que é totalmente gratuita e desapegada de qualquer bandeira partidária. Para quê? Para mostrar, levar ao debate, a importância dos profissionais de Administração”, disse.
Durante sua apresentação, Marcelo mostrou como navegar na ferramenta IGM-CFA e deu detalhes de como o Índice foi construído excelente. De acordo com ele, a maior parte dos municípios brasileiros têm notas entre 5 e 7,5 no IGM-CFA. “É praticamente como se estivesse passando de ano: alguns raspando, outros um pouco melhor, mas ainda dentro de uma média que revela uma realidade que precisa ser olhada com atenção”, pontuou.
Entretanto, ele fez uma ressalva. “Uma nota máxima em determinado indicador não significa, necessariamente, que aquele município esteja em uma situação de excelência. Ele pode estar muito bem quando comparado a outros municípios brasileiros e, ainda assim, ter muito espaço para avançar”, reforçou o coordenador.
O IGM-CFA trabalha, em média, com 30 variáveis, distribuídas em dois indicadores e três dimensões que compõem a nota final. “Então, é muito difícil que um município tenha um desempenho excelente em absolutamente todas essas variáveis. Em algumas delas, certamente haverá espaço para avançar”, disse.
Cerca de 80% dos municípios brasileiros estão entre 5 e 7 no IGM-CFA. Ou seja, são municípios que têm muito espaço para melhorar.
“É aí que eles precisam de nós. Precisam que os profissionais de Administração assumam as rédeas da gestão, ajudem a interpretar esses indicadores, identificar os gargalos e, principalmente, compreender quais caminhos precisam ser traçados”, destacou Marcelo.
Na parte da tarde, o workshop teve um momento prático. Os participantes se dividiram em grupos e cada um deles recebeu a missão de analisar um município mineiro a partir do IGM-CFA.
Ao identificar os desafios e oportunidades de cada município, os grupos criaram planos de ação utilizando o modelo 5W2H. Ao final, os grupos apresentaram suas propostas e trocaram experiências.
O Workshop de Gestão Pública contou, também, com a participação da vice-diretora de Gestão Pública do CFA, Adm. Clenis Siqueira. O debate sobre o assunto continua nos dias 16 e 17 de setembro, no Fórum de Gestão Pública, promovido pelo CRA-MG.
Ana Graciele Gonçalves
Assessoria de Comunicação CFA
