Especialistas defendem integração portuária para consolidar região como potência no Atlântico Sul
O Nordeste vem ampliando sua relevância estratégica no cenário internacional graças à sua posição geográfica privilegiada, o avanço da infraestrutura portuária e o crescimento da movimentação de cargas. O fortalecimento da região como um dos principais hubs logísticos do Atlântico Sul foi tema de destaque no painel “O Nordeste como HUB Logístico do Atlântico Sul: desafios e oportunidades”.
Realizado durante o Encontro Regional de Profissionais de Administração (ERPA) Nordeste 2026, em São Luís (MA). O debate,mediado pela ADMª. reuniu os palestrantes Adm. Sérgio Cutrim, Adm. Ted Lagos e Igor Pontes, promovendo uma análise estratégica sobre infraestrutura, competitividade e integração econômica.
Durante o painel, Lagos destacou que a logística está presente em todas as dimensões da vida cotidiana — do pão consumido no café da manhã ao combustível que abastece diferentes regiões do país — e depende diretamente de uma gestão eficiente e de infraestrutura integrada.
“Todos os portos são extremamente importantes, mas você tem alguns que se destacam pela infraestrutura. Então, antes de serem, digamos, competição ou concorrência, eu penso que são complementares. Outro conceito também ligado ao ciclo portuário era de influência, ou seja, cada porto tem uma área de influência que é exatamente a região em que a carga se origina ou ela chega. Então, hoje, o que faz essa área ser maior ou menor do que a outra? São os acessos portuários, como boas rodovias, boas ferrovias. Nós, de São Luís, somos privilegiados porque temos três ferrovias e uma boa malha rodoviária”, garantiu.
Os portos funcionam como centros de distribuição conectados por diferentes modais de transporte, articulando produção e consumo em cadeias cada vez mais complexas. Segundo o especialista, o Porto do Itaqui ganha relevância estratégica pela combinação de ferrovias e malha rodoviária capaz de atender até oito estados brasileiros, movimentando combustíveis, fertilizantes, soja e outros insumos essenciais para o abastecimento nacional.
Ao abordar políticas industriais e desenvolvimento regional, Pontes defendeu que os portos devem ser compreendidos não apenas como estruturas de transporte, mas como instrumentos estratégicos de integração econômica e inserção internacional. Com experiência na implantação do Porto Piauí, ele destacou que a construção de um hub logístico exige planejamento público, ambiente regulatório eficiente e capacidade de atrair investimentos de longo prazo.
“E por parte dos conselhos, incentivar, promover eventos como esse, tudo isso ajuda a promover esse administrador a trabalhar nesse contexto. Essa promoção, esse incentivo vai ao encontro de desenvolvermos um conjunto das nossas principais habilidades”, ressaltou.
Pontes também ressaltou que reduzir burocracias, ampliar a segurança jurídica e estruturar políticas públicas voltadas à infraestrutura são medidas fundamentais para tornar o Nordeste mais competitivo e consolidar a região como protagonista logística no cenário nacional e internacional.
Ao refletir sobre o papel das instituições de ensino e dos conselhos profissionais na formação dos administradores, o professor Sérgio Cutrim destacou que não existem soluções imediatas de sucesso no mercado de trabalho, especialmente em um cenário marcado por logística integrada, transformação digital e indústria 4.0. Segundo ele, o primeiro passo das universidades deve ser a atualização dos currículos, incorporando disciplinas ligadas à inteligência artificial, ciência de dados, estatística avançada e análise de informações estratégicas.
“E por parte dos conselhos, incentivar, promover eventos como esse, tudo isso ajuda a promover esse administrador a trabalhar nesse contexto. Essa promoção, esse incentivo vai ao encontro de desenvolvermos um conjunto das nossas principais habilidades”, ressaltou.
O professor também defendeu uma postura mais ativa dos estudantes na busca por qualificação contínua, ressaltando que a responsabilidade pela preparação profissional não pode ser transferida exclusivamente ao setor público ou às instituições. Para Sérgio, o diferencial competitivo do administrador moderno está no desenvolvimento do que chamou de “TCC”: tempo, conhecimento e conexões — três ativos fundamentais para construir carreira, ampliar networking e acompanhar as transformações do mercado logístico e industrial.
Por fim, os debatedores ressaltaram que o desenvolvimento dos complexos portuários nordestinos exige planejamento integrado, modernização da gestão pública e ampliação da infraestrutura multimodal, envolvendo rodovias, ferrovias e zonas industriais. Segundo os participantes, o desafio da região passa pela criação de soluções logísticas mais eficientes, sustentáveis e capazes de gerar competitividade para os estados nordestinos.
Sobre o ERPA
O ERPA Nordeste 2026 acontece nos dias 7 e 8 de maio, reunindo administradores, estudantes e lideranças do setor público e privado em uma programação voltada ao desenvolvimento regional e à inovação na gestão. Realizado pelo Conselho Regional de Administração do Maranhão (CRA-MA), com apoio do Conselho Federal de Administração (CFA) e dos Conselhos Regionais de Administração do Nordeste, o encontro consolida São Luís como espaço de diálogo sobre transformação econômica, sustentabilidade e fortalecimento institucional.
Além da pauta econômica, o ERPA Nordeste 2026 também valoriza o patrimônio cultural de São Luís, capital reconhecida por sua herança afro-brasileira e indígena. O evento propõe conexões entre administração, inovação e impacto sustentável, fortalecendo parcerias e debates voltados ao futuro do desenvolvimento regional.
Adriana Mesquita
Assessoria de Comunicação CFA
