No momento, você está visualizando Pesquisa CFA/MEMP revela o que os pequenos negócios precisam para crescer

Pesquisa CFA/MEMP revela o que os pequenos negócios precisam para crescer

Levantamento aponta acesso ao crédito, gestão financeira e capacitação prática como prioridades dos empreendedores e reforça a importância da atuação integrada entre instituições

Fortalecer a gestão para transformar desafios em oportunidades. Esse é um dos principais caminhos apontados pela “Pesquisa CFA/MEMP – Unidos no aprimoramento da gestão que impulsiona os pequenos negócios”. O estudo foi realizado em parceria entre o Conselho Federal de Administração (CFA) e o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP).

Aplicado entre setembro de 2025 e junho de 2026, o estudo buscou identificar desafios, necessidades e oportunidades enfrentados por Microempreendedores Individuais (MEI), Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), produzindo informações capazes de subsidiar políticas públicas, programas de capacitação e iniciativas de apoio à gestão. 

Segundo o diretor da Câmara de Formação e Educação do CFA, Adm. Júlio Rezende, a metodologia adotada na pesquisa combinou abordagens quantitativa e qualitativa, por meio da aplicação de questionário estruturado, o que possibilitou analisar aspectos relacionados ao perfil dos empreendedores, características das empresas, práticas de gestão, capacitação, apoio institucional, mercado, concorrência, investimento e financiamento.

“Os resultados evidenciam a predominância de negócios de pequeno porte, com forte presença do setor de serviços, estruturas organizacionais enxutas e centralização das decisões no próprio empreendedor.”, afirmou.


Gestão financeira é o principal gargalo

Entre os desafios identificados, a gestão financeira e o acesso ao capital aparecem como as principais dores dos pequenos negócios. Gestão financeira, capital de giro, fluxo de caixa, juros, crédito, financiamento e a separação entre as finanças pessoais e empresariais concentram cerca de 38% das dificuldades apontadas.

Na sequência aparecem precificação, vendas e mercado, com aproximadamente 19%; marketing, divulgação e captação de clientes, com 14%; e mão de obra e gestão de pessoas, com 11%. Burocracia, impostos e legislação representam cerca de 9%, enquanto planejamento, processos e organização somam 6%.

O diagnóstico mostra, ainda, que os problemas não estão isolados. A dificuldade financeira, por exemplo, pode comprometer investimentos em marketing, contratação de profissionais, organização de processos e capacidade de expansão.

Crédito é prioridade, mas conhecimento também

Quando questionados sobre quais soluções seriam mais importantes para aprimorar a gestão, os empreendedores colocaram o apoio financeiro e o crédito no topo da lista, com aproximadamente 48% das menções.

Mas o acesso ao dinheiro não aparece sozinho. Cerca de 33% apontaram a necessidade de gestão financeira e contábil, enquanto 30% indicaram capacitação prática e consultoria. Marketing e vendas aparecem com aproximadamente 25% e tecnologia e sistemas, com 22%. 

Para Júlio, o resultado mostra qyue é necessário preparar o empreendedor para utilizar os recursos de maneira eficiente, tomar decisões mais qualificadas e estruturar o crescimento do negócio.

A pesquisa também mostra que os empreendedores valorizam soluções aplicadas à realidade cotidiana. A demanda por capacitação prática e consultoria indica interesse por conhecimentos que possam ser imediatamente utilizados na resolução de problemas e na melhoria dos resultados. 

79,1% pretendem investir em capacitação

Um dos dados mais positivos do levantamento está relacionado à disposição para aprender. 79,1% dos entrevistados afirmaram que pretendem investir em capacitação nos próximos 12 meses.

O índice demonstra que existe uma demanda concreta por qualificação e uma percepção crescente de que o desenvolvimento de competências é fundamental para a sobrevivência, competitividade e expansão dos negócios. 

Entre as áreas em que os empreendedores mais identificam necessidade de treinamento estão marketing, vendas e área comercial (25%), gestão financeira (20,8%), gestão do negócio e processos (16,7%) e tecnologia, digital e Inteligência Artificial (12,5%).. 

Apesar do interesse, existem barreiras para que a intenção se transforme em investimento efetivo. A principal é a falta de orçamento, apontada por 60% dos respondentes. A falta de tempo aparece em segundo lugar, com 34,4%, seguida pela dificuldade de medir resultados das capacitações (26,7%) e pela falta de opções de treinamento consideradas adequadas (24,4%). 

Empreendedor sozinho

O perfil dos negócios pesquisados ajuda a explicar parte desses desafios. A pesquisa aponta predominância de estruturas enxutas e forte centralização das decisões na figura do empreendedor. Entre os entrevistados, 45,5% são microempresas, 36,4% são MEIs e 18,2% são pequenas empresas. 

O setor de serviços representa 51,1% da amostra, seguido por comércio e negócios que combinam comércio e serviços, ambos com 24,4%. A presença de estruturas pequenas também é expressiva: muitos empreendimentos são formados pelo próprio empreendedor ou por equipes de até cinco pessoas. 

Essa característica ajuda a compreender por que tempo e recursos são tão importantes. “Quando o proprietário concentra funções administrativas e operacionais, dedicar horas à capacitação ou ao planejamento estratégico pode significar deixar de atender clientes ou executar outras atividades essenciais”, explica Júlio.

Importância do apoio institucional

Outro alerta importante está na relação entre os pequenos negócios e as instituições de apoio. 74,7% dos entrevistados afirmaram não contar com nenhum tipo de suporte institucional, enquanto apenas 25,3% disseram receber algum auxílio. 

Entre aqueles que recebem apoio, o Sebrae aparece em 53,6% das respostas, isoladamente ou em conjunto com outras instituições. Também aparecem instituições financeiras e de crédito (21,4%), associações empresariais e conselhos profissionais (17,9%), além de entidades do Sistema S e programas privados ou hubs de inovação. 

Os dados apontam, portanto, para a necessidade de ampliar e aproximar as redes de apoio dos empreendedores. Desconhecimento sobre os serviços existentes, burocracia e inadequação de algumas iniciativas à rotina dos pequenos negócios são apontados como fatores que dificultam o acesso.

Digitalização

A presença digital também ganhou espaço no cotidiano dos pequenos negócios. O WhatsApp é utilizado por 84,4% dos respondentes, enquanto o Instagram aparece com 80%. Facebook foi citado por 48,9%, seguido por LinkedIn, YouTube, TikTok e outras plataformas. Por outro lado, a baixa presença de tecnologia e Inteligência Artificial entre as principais dificuldades declaradas — cerca de 3% — sugere que esse tema ainda é relativamente emergente entre os empreendedores pesquisados. 

Há confiança, mas também cautela

Apesar das dificuldades, o cenário não é exclusivamente negativo. Metade dos entrevistados considera o mercado consumidor promissor ou em crescimento. Outros 23,2% avaliam o mercado como estagnado ou limitado, enquanto 14,3% consideram seu desempenho dependente de fatores externos, como inflação, juros, políticas econômicas e cenário político. 

Na avaliação da própria competitividade, 38% consideram seus negócios bem posicionados e competitivos. Outros 21% classificam seu desempenho como regular ou dentro da média, enquanto 19% enxergam seus negócios como promissores, mas prejudicados por custos e impostos. 

“O retrato é, portanto, de um empreendedor que reconhece as dificuldades, mas demonstra capacidade de adaptação e disposição para buscar novos conhecimentos e oportunidades”, destacou o diretor do CFA.

 

Parceria CFA/MEMP

A pesquisa é fruto do Acordo de Cooperação Técnica que o CFA  tem com o MEMP. A parceria estratégica é voltada à produção de conhecimento e ao desenvolvimento de ações que contribuam para o aprimoramento da gestão das micro e pequenas empresas brasileiras.

Júlio afirma que, ao transformar dados em conhecimento estratégico, a iniciativa contribui para a formulação de soluções mais aderentes à realidade dos empreendedores brasileiros, fortalecendo o ambiente de negócios e promovendo uma gestão cada vez mais profissional, inovadora e orientada para resultados.

“A parceria entre o Conselho Federal de Administração e o Ministério do Empreendedorismo reafirma o compromisso de ambas as instituições com o fortalecimento das micro e pequenas empresas, e confirma que investir na qualificação da gestão significa impulsionar a geração de emprego, renda, inovação e desenvolvimento econômico sustentável em todas as regiões do Brasil., concluiu.


Para conferir a pesquisa na íntegra, acesse: Pesquisa_memp_cfa (1)


Ana Graciele Gonçalves
Assessoria de Comunicação CFA