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ENLA 2026 debate transformações do mundo do trabalho e novos desafios para a Administração

As transformações no mundo do trabalho estão acontecendo em ritmo acelerado  e exigem dos profissionais de Administração capacidade de adaptação, planejamento e visão estratégica. Esse foi um dos principais pontos abordados pela chefe da Assessoria Especial de Assuntos Internacionais (ASSINT) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Maíra Lacerda, durante o Encontro Latino-Americano de Administração (ENLA 2026).

Durante a palestra,  Maíra chamou atenção para algumas das principais tendências que já estão modificando as relações de trabalho no Brasil e no mundo. Entre elas está o crescimento do trabalho realizado por meio de plataformas digitais.

Segundo a especialista, o Brasil já conta com quase 2 milhões de trabalhadores de plataformas, sendo aproximadamente 70% motoristas ou entregadores. O fenômeno, porém, vai muito além desses profissionais e alcança atividades como trabalho doméstico, tradução e outras ocupações intermediadas por plataformas digitais.

Nesse cenário, a Convenção 193 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do trabalho decente na economia de plataformas, representa um importante avanço na construção de parâmetros normativos e de segurança jurídica para uma modalidade de trabalho considerada ainda muito nova.

Outro tema em destaque foi a relação entre mudanças climáticas, emprego e saúde e segurança ocupacional. A transição para uma economia de baixa emissão de carbono deverá provocar a perda de determinados postos de trabalho, mas também criará novas oportunidades profissionais.

“A gente, enquanto Administração, especialmente administração pública, a gente precisa garantir que essa atração seja feita de forma a manter o trabalho decente das pessoas e que seja feita em paralelo com a qualificação das pessoas para esse novo tipo de mercado.”

De acordo com Maíra, a crise climática também traz impactos diretos sobre as condições de trabalho. O calor extremo, por exemplo, representa um desafio para profissionais que trabalham ao ar livre e também pode afetar ambientes fechados, como salas de aula. Nesse contexto, segundo a especialista, a gestão precisa considerar a saúde e a segurança das pessoas como parte do planejamento organizacional e das estratégias de gestão de pessoas.

 

Igualdade salarial e novas relações de trabalho

A igualdade salarial por trabalho de igual valor também foi apontada como uma das tendências atuais do cenário internacional. A discussão envolve diferentes grupos de trabalhadores e busca combater desigualdades na remuneração para atividades de igual valor.

Maira destacou ainda a existência de uma coalizão internacional voltada à igualdade de pagamento, atualmente presidida pelo Governo do Brasil e liderada conjuntamente pela OIT, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e pela ONU Mulheres.

Outro debate que vem ganhando força é o da redução da jornada de trabalho. A discussão também está presente no Brasil, incluindo o debate sobre a escala 6×1. Segundo a especialista, experiências de redução da jornada já foram realizadas em países como Chile, França, Portugal e Canadá.

Para os administradores, acompanhar essas transformações é fundamental. Mesmo quando determinado tema ainda não faz parte diretamente da rotina de uma organização, ele pode produzir impactos sobre fornecedores, empresas terceirizadas, relações trabalhistas e estratégias de atração e retenção de talentos.

 

Um mercado de trabalho cada vez mais integrado

No segundo bloco da palestra, Maira abordou os acordos internacionais e a integração comercial, destacando como os instrumentos bilaterais e multilaterais passaram a ter papel estratégico para a competitividade e a segurança nas relações de trabalho.

A mobilidade internacional é um exemplo. A especialista explicou que acordos de previdência social permitem, em determinadas situações, a totalização dos períodos de contribuição de trabalhadores que atuaram em diferentes países. No âmbito do Mercosul, por exemplo, o mecanismo pode evitar a perda de direitos previdenciários decorrente da mobilidade entre os países.

A integração também impõe novos desafios às organizações. “Nenhum país é mais uma ilha”, destacou Maíra ao tratar de um mercado em que empresas e profissionais atuam cada vez mais além das fronteiras nacionais. 

“Hoje, uma pessoa pode trabalhar no Brasil para uma empresa dos Estados Unidos ou da França, enquanto profissionais estrangeiros podem atuar para empresas brasileiras.”

Essa realidade exige das organizações uma visão mais ampla sobre legislação, relações de trabalho, previdência, mobilidade profissional e gestão de pessoas.

Ao reunir temas como tecnologia, mudanças climáticas, novas formas de trabalho, integração econômica e transformações nas relações trabalhistas, a palestra reforçou uma mensagem central para os profissionais de Administração: as mudanças que acontecem no mundo do trabalho precisam estar no radar da gestão.

Mais do que acompanhar novas regulamentações, cabe aos administradores compreender os impactos dessas transformações e preparar organizações, equipes e políticas públicas para um cenário cada vez mais integrado, tecnológico e dinâmico.

É justamente nesse ambiente de mudanças que o ENLA 2026 propõe ampliar o diálogo entre os países latino-americanos e fortalecer a Administração como instrumento de desenvolvimento, inovação e transformação das organizações e da sociedade.

 

Sobre o Enla

Com o tema “Pacto Latino-Americano pela Administração: Regulação, Inovação e Mercado”, o Encontro Latino-Americano de Administração (ENLA 2026) reuniu, em Brasília, representantes de diferentes áreas relacionadas à Administração.

Considerado um dos principais fóruns de debates sobre a Administração na América Latina, o evento retorna ao Brasil depois de mais de duas décadas. Promovido pelo Conselho Federal de Administração (CFA), em parceria com o Conselho Regional de Administração do Distrito Federal (CRA-DF), o ENLA 2026 ocorreu entre os dias 9 e 11 de setembro, no Centro de Eventos e Convenções Brasil 21, em Brasília.

A programação reuniu especialistas em gestão pública e privada, parlamentares, juristas, professores, pesquisadores, coordenadores de cursos e estudantes, além de dirigentes da Organização Latino-Americana de Administração (OLA) e representantes do Sistema CFA/CRAs.

Ao longo dos três dias, o encontro promoveu debates sobre os desafios e as oportunidades para a Administração na América Latina, conectando temas como regulação, inovação, mercado, liderança e transformação das organizações.

 

Adriana Mesquita

Assessoria de Comunicação do CFA