TALK SHOW GESTÃO EM DEBATE DISCUTE TRÊS CAMPOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA [CRA-RS]

Talk show Gestão em Debate discute três campos da Administração Pública

Para finalizar a programação do I Simpósio de Governança Pública ocorreu o talk show Gestão em Debate na sede da FAMURS. Mediado pelo auditor fiscal da Receita Municipal de Porto Alegre e membro da Câmara de Gestão Pública do CRA-RS, Adm. Flávio Cardozo de Abreu, o debate contou com a participação dos especialistas na área: Secretário de Planejamento e Gestão da Prefeitura de Porto Alegre, Adm. José Alfredo Parode, sócio-fundador da Sociedade Brasileira de Administração Pública, Adm. Clezio Saldanha dos Santos e presidente do CFA, Adm. Wagner Siqueira.
Na abertura a presidente do CRA-RS, Adm. Claudia Abreu enfatizou a relevância da programação do Simpósio – workshop, audiência pública e talk show – diante do cenário adverso que o país enfrenta e que demanda a inserção e envolvimento do Administrador. “O evento faz parte de um planejamento da Câmara de Gestão Pública da autarquia, coordenada pela Adm. Rita, no atual momento político e econômico brasileiro. O debate é o desfecho de dois dias de muito conhecimento e diálogo a fim de contribuir com a profissionalização e qualidade da gestão pública”, realçou.
O mediador, Adm. Flávio Cardozo de Abreu iniciou a conversa observando que falar em gestão pública sem falar de política é impossível e para isso é preciso conhecer o triângulo de governo de Carlos Matus que baseia-se em três vértices: projeto de governo, governabilidade do sistema e capacidade de governo, que significa o nível intelectual, ou seja, as pessoas que fazem a máquina administrativa girar. “Aqui vamos tratar sobre esse campo em específico, a capacidade intelectual. É difícil discorrer sobre gestão pública sem lembra de filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles”, apontou, levantando três temas para serem debatidos: planejamento, pessoas e liderança e governança e transparência.
Em relação ao primeiro tema, o Adm. Abreu ressaltou algumas armadilhas do planejamento que são o comprometimento, a mudança, a política e o controle. Ele levou ao debate a questão da eficácia do planejamento do setor público. Para Adm. Saldanha, há quatro conceitos que deve-se aplicar tanto na empresa pública, quanto na privada: eficiência, eficácia, efetividade e sustentabilidade. “Sabendo que existe esses indicadores, é preciso fazer uma avaliação e para isso é necessário ter um controle, mas para ter o controle é fundamental ter planejamento. De que forma você irá controlar o que se não planejou antes?”, indagou o Administrador, acrescentando que o gestor tem a função de tentar equilibrar a estrutura para garantir o resultado esperado.
Já para Parode, fazer gestão na Administração pública se tornou um grande ato de coragem. “Há uma deformidade em relação aos instrumentos de planejamento. Nós gastamos recursos e tempo procurando achar culpados, quando deveríamos nos focar no planejamento para que pudéssemos estabelecer ações preventivas ao erro. Falta proveito do uso das ferramentas de Administração e a participação mais efetiva dos Administradores”, frisou. Para o Adm. Siqueira a lei posterior revoga a anterior e isso faz com que o orçamento público no Brasil e, portanto, planejamento, vire uma ficção jurídica. “Sob ponto de vista operacional ele não existe. Os conceitos explicitados na lei fossem a realidade concreta, mas não são e isso torna o processo de planejamento na Administração pública uma ilusão”, concluiu.
O segundo assunto levantado pelo mediador foi em relação a pessoas e liderança. “De que forma é possível promover desenvolvimento de competências e habilidades nos servidores e gestores públicas para que seja alcançada a excelência nos resultados à sociedade?”, indagou o Adm. Abreu. Neste sentido, Adm. Clezio Saldanha relembrou que na teoria clássica os meios de direção são as ordens, instruções, comunicação, motivação e liderança. “Se conseguíssemos trabalhar com a questão da comunicação e motivação, já seria uma grande tarefa exercida, pois não há uma estrutura adequada dentro das organizações. As pessoas estão ali, são concursadas e devem ser motivadas a exercer todos os dias aquele trabalho”, alertou. Já o presidente do CFA, Adm. Wagner Siqueira foi incisivo: “vivemos em relação a esse tema um momento de obscurantismo. Abandonamos o processo de conhecimento e entramos num achismo da literatura de autoajuda”.  Para ele nunca se falou tanto em liderança, mas nunca se praticou tanto o não ensino de liderança. “As organizações castradoras de hoje não permitem o desenvolvimento de líderes, porque o que existe hoje é a produção de gerentes”, ressaltou.
Em relação ao assunto, o Adm. Parode esclareceu que para fazer com que as organizações atinjam seus objetivos, é preciso ter uma liderança, além disso, quanto mais líderes uma organização consegue formar e estimular, melhores resultados elas terão”, destacou, complementando que na prática o desafio do gestor é como formar essas lideranças sem ter a percepção clara do que efetivamente é o papel do setor público.
E, por fim, o mediador Adm. Flávio Abreu propôs a discussão sobre governança e transparência. Neste sentido, o Adm. Wagner Siqueira apontou que a questão da transparência tem avançado no Brasil, porém para se desenvolver ainda mais é preciso superar o custo do controle ser mais caro do que o risco. “Hoje eu crio um programa para melhoria da sociedade a partir de recursos federais e antes mesmo de aplicar eu já estou prestando contar para mais de dez órgãos. Ou seja, o custo de boas ações é muito mais caro do que o risco”, diz, acrescentando que a melhor maneira é não fazer nada, aí a mentalidade empreendedora no poder público é limitada por um estilo de liderança no processo como um todo, fazendo com que a gente não consiga mudar as circunstancias. “Percebo mudanças, mas elas ainda são muito tímidas para o que o Brasil precisa”, afirmou.
Para o Adm. Parode, governança e transparência e a própria corrupção tanto no setor público, quanto setor privado são o espelho da própria sociedade. “Somos nós que colocamos os políticos lá e depois de algum tempo ninguém sabe em quem votou. Precisamos focar num modelo de governança que tenha transparência, mas que se tenha a clara noção de ética, moral e valor e que isso contaminar a sociedade”, defendeu. Já Clezio fez uma retrospectiva da Administração pública: “ela começou baseada no orçamento público, porque teria que ter planejamento, organização, direção e controle dentro do Estado. Naquela época as fraudes e o rombo nas receitas do estado eram gigantescas, então a Administração pública começou a se desenvolver com o princípio do controle num processo de geração de valor público”, finalizou, destacando que a sociedade deve ser um instrumento para diminuir os custos do Estado.
Por fim, a presidente da Câmara de Gestão Pública, Adm. Rita de Cássia Eloy destacou a importância do Simpósio e fez uma relação entre o IGM com os assuntos discutidos no debate. “É um desafio começar esse projeto e aceitamos dar o primeiro passo. Esses debates não vão ficar aqui, vamos trabalhar para qualificar cada vez mais a gestão pública para entregar resultados para a sociedade”, salientou.
Fonte: CRA-RS

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