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Semana Temática do Mês da Mulher traz informação e reflexão sobre temas de interesse ao público feminino

Nos dias 11 e 12 de março, o Conselho Federal de Administração realizou a “Semana Temática Mês da Mulher”, com transmissão pelo YouTube. O evento homenageou as profissionais de administração e reuniu quatro palestras distribuídas ao longo de dois dias.

A primeira palestra do dia 11 teve como tema “A Gestão da Empresa na Era do Conhecimento”, ministrada pela vice-diretora da Câmara de Formação e Educação do CFA e subchefe do Departamento de Administração Empresarial da ESAG/UESC, Adm. Isabela Muller. Ela destacou a importância de uma abordagem sistêmica e contínua na gestão e apresentou um panorama da evolução da administração, da sociedade de caça e coleta à sociedade em rede.

Isabela explicou que cada período histórico foi marcado por tecnologias específicas, como o domínio do fogo, as ferramentas agrícolas e o avanço da produção industrial. Segundo ela, a atual era do conhecimento é caracterizada pelo capital intelectual e pela capacidade de gerar aprendizado nas organizações.

“Mesmo a era do conhecimento tem data para terminar; segundo teóricos, ela pode se encerrar por volta de 2040. Isso indica que pessoas e empresas precisarão aprender cada vez mais rápido e desenvolver grande capacidade de adaptação”, afirmou.

A administradora também destacou que, ao contrário da lógica financeira tradicional, o conhecimento cresce quando é compartilhado. Assim, quanto mais aprendizado circula nas organizações, maior tende a ser a geração de novos conhecimentos.

Ela ressaltou ainda que a inovação assume formas diferentes conforme a realidade de cada empresa ou profissional. Por isso, compreender o estágio de desenvolvimento organizacional é essencial para identificar oportunidades de transformação em produtos, serviços e processos.

“Embora muitos imaginem que eu vá falar apenas de inteligência artificial, preocupem-se primeiro em estruturar o plano de negócios. Ele antecede qualquer iniciativa e funciona como um verdadeiro funil de inovação”, destacou.

Ao encerrar sua participação, Isabela ressaltou a importância de compreender diferentes perfis de público, especialmente os jovens e as pessoas acima de 50 anos. Segundo ela, considerar essas duas dimensões permite que as empresas dialoguem com o futuro e, ao mesmo tempo, com a crescente longevidade da população.

Mudança estrutural

A segunda palestra do primeiro dia teve como tema “O mundo mudou, e você?”, conduzida pela administradora e fundadora da Inspire Global Group, Eliane Davila. Em sua exposição, ela convidou líderes e profissionais a refletirem sobre as transformações do mercado e sobre a necessidade de ampliar a visão estratégica na gestão de carreira.

Eliane destacou que o administrador contemporâneo precisa dominar competências técnicas, maturidade emocional, visão sistêmica e responsabilidade socioambiental. Para ela, o conhecimento técnico continua essencial, mas o futuro exige integração de saberes, propósito e impacto positivo.

A palestrante também abordou o aumento da complexidade global, marcado por cenários de volatilidade e incerteza associados aos conceitos de VUCA e BANI. Nesse contexto, afirmou que gestores devem compreender as conexões entre pessoas, organizações e ecossistemas.

“Precisamos entender que nossas ações reverberam globalmente. Por isso, é necessário integrar múltiplas perspectivas ao mesmo tempo”, afirmou.

Segundo Eliane, o mundo abandonou o modelo linear de pensamento, baseado em estruturas rígidas e setores isolados. Em seu lugar surge uma lógica de complexidade, marcada pela interdependência global, efeitos em rede e stakeholders conectados digitalmente.

Ao final, apresentou o conceito de foresight, abordagem estratégica voltada à análise de futuros possíveis. A metodologia permite mapear tendências e cenários plausíveis para orientar decisões e construir estratégias proativas.

Segundo dia

No segundo dia, a primeira palestra foi conduzida pela administradora e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Espírito Santo (ABRH-ES), Neidy Christo. Ela apresentou o tema “Resultados deveriam ter gênero? Decisão, mérito e poder nas organizações”.

Segundo a palestrante, as mulheres já representam quase metade da força de trabalho e apresentam níveis crescentes de qualificação. Entretanto, sua presença diminui significativamente à medida que se avança na hierarquia organizacional.

“As mulheres entram no mercado de trabalho, mas não chegam ao topo na mesma proporção que os homens. A pergunta mais honesta não é se resultados deveriam ter gênero, mas o que acontece nesse percurso até chegar a eles”, afirmou.

Neidy observou que muitas profissionais relatam precisar demonstrar preparação superior à dos homens para ocupar cargos equivalentes. Para ela, a meritocracia somente funciona quando existem condições equivalentes de trajetória.

Dados do LinkedIn indicam que as mulheres representam cerca de 44% da força de trabalho global em 2026, mas ocupam apenas 31% dos cargos de liderança. No Brasil, elas correspondem a 45,2% da força de trabalho e a 32,2% das posições de liderança.

“O problema não está mais na entrada das mulheres no mercado, mas na progressão de carreira. Precisamos corrigir essa distorção para tornar a meritocracia efetiva”, destacou.

ESG e Igualdade

A última palestra foi conduzida por Melissa Amaral — presidente do Conselho Consultivo do Grupo de Comunicação SCC. Ela abordou o tema “Igualdade de Gênero como Estratégia de ESG: o Papel da Liderança na Transformação das Organizações”.

Melissa destacou que empresas que adotam práticas responsáveis e alinhadas às expectativas da sociedade tendem a alcançar melhores resultados. Segundo ela, organizações que cuidam das pessoas e contribuem com o ambiente social demonstram maior sustentabilidade.

Ela apresentou dados da consultoria Globescan que indicam que 78% dos consumidores brasileiros preferem comprar de empresas com práticas ESG. Já levantamento do LinkedIn aponta que 71% dos profissionais desejam trabalhar em organizações alinhadas a valores éticos e sustentáveis.

Entre os benefícios dessas práticas estão o fortalecimento da reputação da marca, a atração de talentos e a redução de riscos operacionais. Além disso, critérios ESG ampliam o acesso a investimentos e contribuem para a sustentabilidade organizacional.

Melissa também destacou pesquisas que indicam que empresas com mais mulheres na liderança tendem a adotar práticas ESG com maior frequência. Ao encerrar, reforçou a importância de promover equidade no mercado de trabalho.

“Nós, mulheres, não queremos nenhum direito a mais ou a menos. Queremos apenas que nossos direitos sejam respeitados”, concluiu.


Por Leon Santos

Assessoria de Comunicação do CFA