Terceiro painel do Encontro Latino-Americano de Administração reuniu especialistas do Brasil, Peru e El Salvador para discutir educação, formação profissional, inovação e os desafios da inserção das mulheres no mercado de trabalho
A educação e a aproximação entre a academia e o mercado de trabalho foram os principais temas do terceiro painel do Encontro Latino-Americano de Administração 2026, realizado em Brasília. Com o tema “Ponte para o futuro: integrando a academia e a realidade das organizações”, o debate reuniu especialistas de diferentes países da América Latina para discutir os caminhos necessários à formação de profissionais preparados para as transformações do mundo do trabalho.
A mediadora do painel foi a administradora e presidente da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração (Angrad), Cláudia Stadlober, que destacou a educação como elemento fundamental para o desenvolvimento do Brasil e da América Latina.
“Pensar em ponte para o futuro é fundamental, já que não existe futuro sem educação. Se a gente quer melhorar o Brasil e a América Latina, temos que investir cada vez mais para atender a todas as demandas”.
Universidade e empresas como motores do desenvolvimento
O primeiro painelista foi Javier Armando, representante do Centro Latino-Americano de Administração para o Desenvolvimento (Clad) no Peru. A participação teve como foco a formação de talentos humanos e a integração entre universidades e empresas.
Segundo ele, a aproximação entre academia e organizações é fundamental para criar um ambiente capaz de fomentar a inovação, acelerar o crescimento e apoiar o empreendedorismo. Para Javier, é necessário transformar a formação profissional em uma ferramenta efetiva de desenvolvimento.
“É preciso colocar os esforços necessários para que essa integração aconteça. Melhorar a mão de obra, que são os profissionais, é chegar ao desenvolvimento tão sonhado”.
A integração entre instituições de ensino e empresas, na avaliação do painelista, permite que os conhecimentos desenvolvidos no ambiente acadêmico estejam cada vez mais conectados às necessidades concretas das organizações e da sociedade.
Mulheres e desenvolvimento econômico
Na sequência, a Secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Joana Célia dos Passos, abordou o papel das mulheres na contribuição para o desenvolvimento econômico do país.
Durante a apresentação, ela destacou que as mulheres representam a população mais escolarizada do Brasil no âmbito do Ensino Superior. Apesar disso, ainda existem obstáculos significativos para que essa formação se converta em autonomia econômica e participação efetiva no mercado de trabalho.
De acordo com os dados apresentados, 25,3% das mulheres não possuem renda própria, enquanto entre os homens esse percentual é de 9,7%. Além disso, cerca de metade das mulheres está fora do mercado de trabalho.
O cenário também apresenta desafios no contexto latino-americano. Segundo Joana, três em cada dez mulheres vivem em situação de pobreza e uma em cada dez está em situação de pobreza extrema.
Para a secretária, os números reforçam a necessidade de políticas públicas capazes de enfrentar as desigualdades e ampliar as oportunidades para as mulheres. “É importante analisar esses dados, já que nós, no governo, somos os responsáveis por criar políticas públicas para mudar esse cenário e atender a esses pontos que hoje ainda se mostram críticos”.
A discussão também reforçou a importância de considerar as diferentes realidades sociais e econômicas das mulheres na formulação de políticas voltadas à educação, ao trabalho e à autonomia financeira.
Fechando as apresentações, Fernando Juan Rodriguez Salazar, presidente da Aspael, de El Salvador, falou sobre a necessidade de modernizar os currículos para preparar profissionais capazes de atuar diante das transformações do mundo contemporâneo.
Entre as competências consideradas essenciais para os profissionais do futuro, ele destacou o pensamento analítico, a resiliência e a liderança.
Para Salazar, a atualização da formação acadêmica é fundamental para ampliar as oportunidades dos jovens profissionais e garantir que as instituições de ensino estejam alinhadas às novas demandas das organizações e da sociedade.
“Modernizar o currículo pode transformar o caminho e as oportunidades que os jovens profissionais vão ter. Para isso, precisamos melhorar a qualidade acadêmica e, por isso, estamos revisando em todos os lugares as competências necessárias para o mundo atual”.
O painel mostrou que construir uma ponte efetiva entre educação e mercado exige esforços conjuntos de universidades, empresas, governos e entidades profissionais. A formação de talentos, a promoção da inovação, a inclusão econômica das mulheres e a atualização das competências profissionais foram apontadas como elementos essenciais para preparar a América Latina para os desafios do futuro.
As discussões reforçaram uma das principais propostas do ENLA 2026: promover o diálogo e a integração entre diferentes setores e países para fortalecer a Administração e contribuir para o desenvolvimento da região.
Rodrigo Miranda
Assessoria de Comunicação CFA
