Trabalho ‘por conta própria’ já supera o trabalho por carteira assinada

Trabalho ‘por conta própria’ já supera o trabalho por carteira assinada

Por Daniel Queiroz

O número de pessoas que trabalham por conta própria (autônomos) ou em vagas sem carteira assinada superou os que têm um emprego formal em 2017 e esse número só sobe. É o que apontam os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ainda em 2019 o desemprego já subiu para 12,7% em março e atinge 13,4 milhões de brasileiros. Trata-se da maior taxa desde o trimestre terminado em maio de 2018. Segundo o IBGE, número de subutilizados atingiu o recorde de 28,3 milhões de pessoas. A saída para muitos brasileiros é tentar a sorte por conta própria.

O avanço do trabalho sem registro formal e por conta própria mostra o crescimento da informalidade na economia. O chamado “por conta própria” é uma categoria que inclui profissionais autônomos, como advogados e dentistas, mas também trabalhadores informais, como vendedores ambulantes.

O ano de 2017 foi marcado pela recuperação da economia e pela redução do número de desempregados. O Brasil chegou a somar 14,176 milhões de desempregados em março, número que caiu para 12,3 milhões em dezembro, de acordo com dados do IBGE. Em dezembro de 2017, o país tinha 1,67 milhão de pessoas a mais trabalhando por conta própria ou contratado sem carteira assinada. “A qualidade do emprego não melhorou, uma vez que a maioria dos empregos não possui formalidade”, disse Cimar Azeredo, coordenador de trabalho e rendimento do IBGE.

Na contramão da queda do desemprego, 2018 encerrou com o menor número de pessoas empregadas com carteira assinada desde 2012 – são 33,32 milhões. O ápice do emprego formal foi em 2014, com 36,6 milhões de trabalhadores empregados sob o regime CLT. Entre 2014 e 2017- 3,3 milhões de vagas formais foram fechadas, apontam os dados do IBGE.

Mas como se preparar para um mercado de trabalho em plena transição? As mudanças que impactaram e continuam impactando o mercado de trabalho atual, principalmente no que diz respeito ao trabalho formal e informal exercido em nosso país?

O que é trabalho formal e informal?

Confira a seguir como funciona o que é trabalho formal e informal e quais as vantagens existentes em cada uma destas formas de trabalho no mercado atualmente.

Trabalho informal

Em geral, existem dois tipos de trabalho: informal e formal. O primeiro modelo diz respeito a profissionais que exercem suas atividades sem registro na carteira — e por não possuir vínculo empregatício, não contam com benefícios trabalhistas como férias, licença maternidade, aposentadoria, seguro desemprego, entre outros.

O trabalho informal é interessante para profissionais que gostam de trabalhar a sua maneira, impondo seu próprio ritmo. Em geral, quem busca esta modalidade de trabalho não gosta de rotina.

Vale destacar que quem se dedica ao trabalho informal pode sofrer com a instabilidade financeira, visto que não há nenhum vínculo empregatício que garanta um salário fixo mensal. Por outro lado, trabalhadores informais têm mais liberdade e autonomia para conciliar a vida pessoal à carreira, que é o que grande parte dos profissionais hoje em dia buscam para se sentirem ainda mais realizados.

Trabalho formal

O trabalho formal, por sua vez, é a atividade profissional registrada e oficializada dentro da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, no qual o funcionário pode contar com a proteção e amparo das leis trabalhistas. Ao contrário do que acontece no trabalho informal, o indivíduo que possui carteira assinada usufrui de todas as vantagens e benefícios garantidos pela contribuição regular dos impostos.

Trata-se de um tipo de atividade indicada para profissionais que priorizam a estabilidade financeira, isso porque o vínculo empregatício garante um salário pago mensalmente. Além da remuneração, este trabalhador pode usufruir de benefícios como auxílio alimentação, transporte, plano de saúde, plano odontológico, entre muitos outros.

Outra vantagem oferecida pelo trabalho formal é o horário fixo para que o profissional desempenhe suas atividades, geralmente das 8h às 18h, horário comercial, o que proporciona uma rotina regular e consideravelmente tranquila.

É importante destacar que em ambos os casos é necessário prezar sempre pela qualidade de vida no trabalho, para que o desempenho do profissional seja cada vez melhor. Pensando nisso, elaboramos o e-book “Por que investir na qualidade de vida no trabalho“, que você pode clicar aqui e fazer o download agora mesmo!

Tipos de trabalho

Compreender com mais profundidade o que significa trabalho, bem como o que é formal e informal, é importante para que saibamos diferenciar os tipos de trabalho existentes, principalmente aqui no Brasil. É por isso que neste momento vou lhe explicar um pouco mais sobre cada uma das modalidades as quais temos disponíveis por aqui:

Autônomo

Além do trabalho formal e informal, existe também o trabalho autônomo, que nada mais é que trabalhar por conta própria. São atividades exercidas por pessoas físicas com ou sem fins lucrativos. Essa modalidade não garante os mesmos benefícios que o trabalho formal, como Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, hora extra remunerada, licenças (maternidade ou paternidade), entre outros.

Profissional Liberal

A configuração do trabalho realizado pelo profissional liberal é bem parecida com a que é feita pelo autônomo. A diferença existente entre estas duas modalidades é que o profissional liberal geralmente tem algum tipo de formação acadêmica, como é o caso de advogados, médicos, engenheiros, entre outros, e o que nem sempre acontece no caso daquele que desenvolve alguma atividade autônoma no mercado de trabalho.

Home office

O trabalho realizado no formato home office geralmente é desenvolvido pelo profissional freelancer, ou seja, aquele que é contratado por empresas para prestar serviços por um período determinado, como projetos que têm prazo definido para serem iniciados e para finalização.

Nestes casos, o profissional freelancer tem a possibilidade e a também a oportunidade de atender uma ou mais empresas, caso consiga atender as demandas variadas em seu dia a dia de trabalho.

Profissional assalariado

Este é o formato de trabalho que ainda é bastante comum no mercado de trabalho e que as pessoas mais procuram, como dito anteriormente, principalmente aquelas que desejam estabilidade financeira em suas vidas profissionais.

Aqui estamos falando daquele indivíduo que é contrato por uma empresa, por período determinado ou indeterminado, com carteira assinada. O profissional que exerce suas atividades laborais neste formato de trabalho, recebe um salário fixo mensalmente, bem como benefícios e têm garantidos pela CLT direitos e deveres enquanto presta serviço para a empresa que o contratou, como férias remuneradas, décimo terceiro salário, FGTS, recolhimento de INSS, entre outros.

A saída?

Uma saída para esses profissionais são os aplicativos de serviços – como Uber, 99, iFood e Rappi, dentre outros– se tornaram, em conjunto, o maior ‘empregador’ do país. Mais de 4 milhões de trabalhadores autônomos utilizam hoje as plataformas como fonte de renda. Se eles fossem reunidos em uma mesma folha de pagamento, ela seria 35 vezes mais longa do que a dos Correios, maior empresa estatal em número de funcionários, com 109 mil servidores.

Além desses aplicativos representarem as mudanças na oferta de serviços, eles têm acompanhado transformações significativas nas relações de trabalho. Para um autônomo, o ganho gerado com os apps acaba se tornando uma das principais fontes de renda. Esses 3,8 milhões de brasileiros que trabalham com as plataformas representam 17% dos 23,8 milhões de trabalhadores nessa condição segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no trimestre até fevereiro.