Planejar para não padecer

Planejar para não padecer

Empresário brasiliense do setor automotivo atribui o sucesso atual de sua empresa ao bom planejamento inicial

Abrir mão de trabalhar em uma grande empresa, estável e conhecida no mercado para empreender exige coragem para encarar os riscos e incertezas que virão no caminho.

E não foi diferente com o brasiliense Thiago Cruz, que começou a trabalhar como motorista e passou a auxiliar de escritório, depois estoquista e, posteriormente, a vendedor. Ele também ocupou os cargos de consultor técnico e inspetor de sinistro. Quando decidiu mudar o rumo de sua vida, trabalhava como perito automotivo na Mapfre Seguros.

“Eu via uma dificuldade grande de oficinas, com um padrão de qualidade mais elevado, em estrutura, em atendimento e então eu enxerguei uma oportunidade de negócio. E como eu já tinha o conhecimento dos meios de credenciamento, julguei que poderia ser uma oportunidade de montar o meu próprio negócio”, conta.

Foi assim que nasceu a Santa Fé Lanternagem e Pintura, empresa com sete anos de mercado que emprega atualmente 50 funcionários. A determinação pela realização do sonho veio após uma conversa com um colega de trabalho. Os desafios vieram junto com a decisão, bem no início. Para conseguir tirar o sonho do papel, o perito precisaria vender a casa em que morava com a esposa para financiar o empreendimento. Convencê-la não foi fácil. Eles precisariam se mudar para um apartamento menor e utilizar todo o dinheiro da venda do imóvel no negócio. “Foi difícil, mas eu a convenci”, lembra.

Ana Paula Costa questionou apenas se o marido acreditava realmente no sonho de ser dono da própria empresa e, diante do sim, resolveu apostar junto com Tiago. Ele a incentivou a também se capacitar com o objetivo de que pensassem de forma mais parecida possível para ajudá-lo e, a partir de então, Ana Paula é o braço direito do marido e ocupa o cargo de diretora financeira da Santa Fé. “A gente tem, sim, que acreditar nos nossos sonhos, mas não só isso. É necessário gastar tempo, investir, estudar, se preparar para realizar esses sonhos”, pondera o empresário.

Nessa época, Tiago havia iniciado o curso de Administração e já sabia que atributos como disposição, planejamento, organização e comprometimento eram imprescindíveis para o êxito da empreitada. Por isso, buscou capacitação. “Eu já tinha conhecimento de estoque, de regulação de sinistro, o básico de lanternagem e pintura. Então, eu agreguei isso tudo com o conhecimento administrativo que busquei no Sebrae. Precisava saber o que era necessário para ser um empresário, se eu tinha esse perfil, se ia conseguir empreender, quais dificuldades teria nesse caminho”, lembra.

Ele chegou a cursar quatro períodos, mas foi obrigado a trancar a faculdade porque “fazia a função de cinco pessoas. Quando a gente começa, não tem como contratar cada pessoa no seu lugar e aí eu trabalhava de 7h às 22h. Durante três meses eu fiz isso, então não tinha como ir para a faculdade, mas o que eu tinha visto até esse momento me ajudou na minha empresa”.

Os conhecimentos adquiridos foram vitais para gerir de forma correta o empreendimento que Tiago iniciara. Ele começou a pensar de forma diferenciada e tomou decisões que impulsionaram o crescimento da Santa Fé. O planejamento estratégico foi o pilar do sucesso, segundo o empresário. Ele afirma que planejar o fundo de caixa, contas a pagar e a receber, a parte financeira como um todo é a grande dificuldade da maioria dos empresários do setor automotivo.

“Existe um giro de dinheiro, mas não necessariamente aquele montante é lucro do empresário e muitos confundem isso, porque veem um valor expressivo na conta, acham que é dinheiro deles e se esquecem de que têm que pagar o fornecedor; o salário, passagem e almoço dos funcionários; a compra que fizeram parcelada, mas que já receberam do cliente. Conversando com os meus colegas, até hoje eu noto que eles têm grande dificuldade para administrar isso”, diz.

Muito estudo, palestras, pesquisas de campo e até uma consulta a um consultor especializado fizeram parte da rotina inicial, que durou seis meses. Nesse período, ele fez o plano de negócios, montou um projeto bem completo e partiu para a análise da viabilidade. Após a confirmação de que seus planos eram mesmo viáveis e de se capacitar o suficiente, Tiago alugou um galpão, firmou contratos, conseguiu clientes, fechou parcerias com fornecedores e só depois de tudo isso é que abriu a empresa. Hoje, a oficina atende uma média de 160 carros por mês e oferece serviços diferenciados com equipamentos de última geração, como scanners e máquina de alinhamento 3D.

Para ele, um diferencial foi “estudar o negócio antes de montá-lo. A pessoa que quer realmente empreender, precisa se capacitar. Tem que procurar primeiro o conhecimento para depois montar uma empresa. Infelizmente aqui no Brasil é o contrário, a pessoa monta a empresa primeiro para depois buscar o conhecimento, os clientes e os fornecedores”.

Atualmente, a Santa Fé Lanternagem e Pintura está entre os dez maiores empreendimentos automotivos do Distrito Federal. Trabalha em parceria com grandes seguradoras e é prestadora de serviços em manutenção de veículos do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) do DF desde 2016.

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