O valor da ética nas organizações

O valor da ética nas organizações

O mundo digital torna a transparência obrigatória. A da ética tem pelo menos dois sentidos. O primeiro vem das práticas de comportamentos claros ao entendimento da sociedade quanto à correção nos relacionamentos. O novo fluxo da informação não permite que as organizações se protejam através de bloqueios tecnológicos escusos, pois o digital prescreve liberdade e tem meios para protegê-la. O segundo sentido é embutir a ética nos próprios meios tecnológicos, o que protege as pessoas do envolvimento tácito em decisões que escapem ao seu melhor juízo.
Não é só a área de compliance que garante a ética no mundo digital, mas sim os bloqueios naturais inseridos nas maneiras de agir, de modo a não contradizer as maneiras proclamadas de ser. Mais do que qualquer outro tipo de organização convencional, a digital é determinada pelos valores que a justificam perante a sociedade.

A ética não pode ser delegada para terceiros. Ou se tem, ou não. Sobre isso, o Enbra trouxe a palestra “As tecnologias da ética: Não delegue para terceiros”, ministrada por três palestrantes: Antônio Carlos A. Teles; Fernando Yarussi; e Rogeria Gieremek, Chief Compliance Officer do Grupo LATAM Airlines, que não pôde estar presente no evento, mas enviou a sua participação por meio de um vídeo, no qual afirma que a Administração vai para onde a ética e a compliance determinarem.

O primeiro a falar foi Antônio Carlos A. Teles, consultor e representante da LRN Ethics & Compliance no Brasil. A partir de um vídeo, ele mostrou que a ética ainda está na pauta do mundo, é uma prioridade.
Entre os exemplos trazidos por ele, estava um emblemático: o Facebook, que vazou informações de 86 milhões de usuários, ferindo o primeiro ponto do código de ética que é a administração de privacidade. “O fato ocorreu há alguns meses e agora o escândalo cobrou a conta de 120 bilhões de dólares, uma queda que corresponde a um MC Donalds inteiro, ou a um Bradesco mais uma Petrobrás”, explicou.

Continuou o palestrante: “a Cambridge Analytcs, que afirmou ter usado essas informações na eleição de Donald Trump, alega que não cometeu nada de antiético e isso arranhou tanto sua imagem que ela fechou as portas pouco mais de um mês e meio depois do escândalo”.

Durante sua explicação, Teles enfatizou que, quando a empresa cresce muito, os desafios éticos crescem na mesma proporção. “A liderança dita a consciência. Se você não tem uma liderança consciente, você não consegue construir uma conduta ética”, afirmou.

Um caminho que é encarado como desafiador, mas apontado pelo palestrante como possível é fazer a administração ética, correta, íntegra, e, ao mesmo tempo, eficiente e lucrativa. “Quando a gente fala em desempenho organizacional, a ética está se transformando num diferencial competitivo porque ela traz parceiros mais confiáveis. As tecnologias digitais estão dando mais visibilidade aos fatos e cobrando respostas tão rápidas quanto a tecnologia proporciona na interação. Hoje não é mais possível esconder ou adiar. Você tem que ser rápido, senão a Bolsa de Valores cobra”, afirmou.

E terminou com um questionamento para a plateia: “Será que a inteligência artificial vai ajudar as organizações a tomar decisões éticas?”.

Em seguida, o administrador de empresas pela FAAP, com pós-graduação em gestão de negócios e mestrado em controladoria pelo Mackenzie, Fernando Yarussi, assumiu a palavra e apresentou o plano de Compliance da Siemens, multinacional onde atua.

Ele explicou que tecnologias como o Big Data facilitam o controle da ética dentro da organização. “Nós temos a possibilidade de captar dados que não são claros para a comunidade e a empresa tem que deixar muito claro qual a finalidade daquilo.”

Segundo o palestrante, a ética está permeando todos os processos tecnológicos e levantou alguns pontos a serem pensados quando se trata da relação Indústria 4.0 e Ética: privacidade de dados; processos de investigação digital e normas e procedimentos.
“O segredo da privacidade é pensar para que você precisa da informação e se você tem o consentimento do cliente para usá-la”, finalizou.

O professor da FGV Projetos, Edmundo Maia de Oliveira Ribeiro, presidiu a mesa.

 

Assessoria de Comunicação CFA

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