O poder da empatia na vida e no trabalho

O poder da empatia na vida e no trabalho

Essa é uma competência emocional essencial para criar um clima organizacional de maior compreensão e colaboração

Tem um vídeo circulando no WhatsApp que resume bem a importância de colocar-se no lugar do outro. Ele mostra um menino chegando atrasado na escola. Quando entra na sala de aula, a criança é duramente repreendida pelo professor com um tapa de régua nas mãos. A cena repete-se por vários dias. Porém, o professor vê o menino a caminho da escola. Na ocasião, ele empurra uma pessoa na cadeira de rodas e a deixa em outra escola. Em seguida, sai correndo.

O professor, óbvio, fica consternado ao perceber que os atrasos diários do menino acontecem por uma razão muito forte. O menino, tímido, estende a mão para receber a palmatória. Mas, dessa vez, ao invés de receber o castigo, ele ganha um abraço. O vídeo propõe uma reflexão importantíssima para os tempos atuais: como anda a sua empatia?

Quem tem essa habilidade comportamental consegue compreender as pessoas como elas são, com seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. “É respeitar o outro e sua realidade, desprovido de julgamentos e preconceitos. Em resumo, refere-se à capacidade de se colocar no lugar do outro”, descreve a psicóloga Paloma Souza.

Adm. Cláudia Stadtlober é diretora de Formação Profissional do CFA.

Para a diretora de Formação Profissional do Conselho Federal de Administração (CFA), Cláudia Stadtlober, essa é uma habilidade essencial no mundo do trabalho. “Para nós, administradores e administradoras, a empatia permite que a gente desenvolva a liderança de equipe, de incentivo ao grupo e dessa forma a gente consegue formar um time onde realmente as pessoas se sintam parte de alguma coisa com propósito maior”, diz.

A diretora afirma que a empatia é uma habilidade que pode ser construída e trabalhada dentro da empresa. Nesse caso, um exercício é líderes e liderados colocar-se no lugar do outro. E ela aconselha os profissionais de administração a terem paciência e a aprender a ouvir o próximo. “Se Deus nos deu dois ouvidos e uma boca, é pra gente escutar mais e, nesse momento de escuta, a gente percebe o outro, entende as suas angústias, as suas necessidades. Isso traz uma riqueza de conhecimento e de desenvolvimento gigantesca”, explica a administradora.

 

Empatia na crise

Em meio a pandemia da Covid-19, a empatia tem ganhado muita relevância. Claudia também é professora e comentou que é importante essa sensibilidade entre docentes e alunos. Mas lembra que a empatia vale para todos segmentos: na gestão, no comércio, entre outros

“Não está sendo fácil para ninguém. É a primeira vez que passamos por isso e precisamos, sim, fazer esse exercício da empatia. A gente vai ter que se reinventar e ser fortes”, afirmou Cláudia.

4 passos para desenvolver a empatia

Psicóloga Paloma Souza (CRP 01/20524)

A psicóloga Paloma Souza explica que a empatia deve deve ser aperfeiçoada durante toda a vida. “Como tudo que queremos desenvolver, requer vontade, treino e dedicação. É possível treinar essa capacidade no cotidiano, com exercícios diários. Confira a seguir as dicas que ela separou:

1- Autoconhecimento

Conhecer a si mesmo, seus sentimentos, emoções, motivações e comportamentos, facilita a compreensão do outro, saber o que é meu e o que é dele torna possível o entendimento do ponto de vista do outro sem julgamentos.

2 – Viva experiências diferente

Coloque-se no lugar de alguém que desempenhe uma profissão diferente da sua. Um padeiro, por exemplo. Tente fazer o trabalho que essa pessoa executa e ao final da tarefa reflita: como me senti? Quanto tempo foi necessário para realizar? Quais dificuldades? Quais os benefícios? Dessa forma, é possível expandir a visão de como o outro pensa, sente e age.

3 – Ouça mais

Esteja disposto a ouvir pontos de vista diferentes ao seu sobre determinados assuntos, tentando compreender a forma do outro pensar, buscar entender com a cabeça do outro. Além disso, treine conversas empáticas, com atenção ao que o outro diz, demonstrando interesse, com escuta ativa e verbalização sensível, sem julgamentos e sem desvalorizar o sentimento do outro, sabendo que somos seres únicos, cada qual com sua personalidade e com princípios diferentes.

4- Autocontrole

Colocar-se no lugar do outro para tentar compreender suas atitudes e usar da comunicação assertiva para resolver conflitos. É importante salientar a importância que a habilidade empática tem para os gestores das empresas, já que podem influenciar na percepção do funcionário sobre o seu papel e seu sentimento de importância para a organização, interferindo diretamente na sua motivação e desempenho no trabalho.

Ana Graciele Gonçalves

Assessoria de Comunicação CFA