O futuro já chegou

O futuro já chegou

Como deve ser a gestão em um mundo todo digitalizado e globalizado? A visão sistema e estratégica precisa considerar a rapidez das mudanças atuais. Essa discussão abriu o terceiro dia do Enbra, que acontece no Rio de Janeiro. A palestra “Governança na organização digital: De conformidade para agilidade” foi ministrada por Clemente Nóbrega, presidente da Innovatrix Consultoria.

Disrupção e agilidade são determinantes na remodelagem de uma organização na era digital. Isto supõe que acionistas e dirigentes adotem modelos de cultura que absorvam o digital como inerente ao próprio pensamento organizacional. Neste escopo, estão incluídas as preocupações sobre como as novas tecnologias afetam o mercado de trabalho, assim como a absorção da crescente influência das ciências comportamentais. Construir um novo futuro não significa abastardar o passado, mas ter agilidade para mudar.

“Nenhum gestor ou administrador entende para onde vai essa revolução toda que estamos vivendo; ninguém sabe o que fazer diante de um mundo que avança nessa velocidade. O fato de não haver uma resposta linear do que está acontecendo mundo afora colabora para isso”, afirmou Nóbrega no início de sua fala.
Ele apresentou um gráfico sobre o aumento da riqueza e mostrou que a riqueza per capta vem aumentando desde a Revolução Industrial de uma maneira que nunca aconteceu antes. “E eu não estou falando só de dinheiro, estou falando de qualidade de vida, de significado de vida, de prosperidade.”

Há um mundo acabando e um mundo novo começando. Isso muda, também, a lógica das empresas. Atualmente, o ativo não é tangível e o dinheiro não está vindo mais de coisas físicas. “Aprendemos que a Administração correta é uma ciência que tem leis, tem regras cartesianas e claras. Eu não estou criticando isso; historicamente, isso faz sentido, mas agora a gente está percebendo que tem que colocar outra coisa no lugar. A informação digital tende a desconstruir a empresa tradicional”, disse.

Quando a empresa se fragmenta (por causa da tecnologia da informação), ela vira uma rede de relacionamentos e seu sucesso é determinado pela qualidade das relações que estabelece com clientes, fornecedores, colaboradores e sociedade.

O modelo de ontem, segundo o palestrante, é o do bombardeio do mercado e da era do gestor central. Mas esse não é um formato que funcione mais. A governança que vai dar certo é aquela que envolve os participantes, que preze pela construção de relações. “E isso a gente ainda vê nos discursos dos nossos presidenciáveis, por exemplo. Isso é complicado”, pontuou.

O mundo (a empresa, o mercado) ficou complexo, mas o que determina o sucesso hoje é a mesma dinâmica que determinou no passado. É a dinâmica do aprender. Aprender é modificar a forma como você se comporta no mundo para tornar-se mais eficiente na arte de tornar-se vivo. “Não há soluções técnicas para problemas complexos, só soluções gerenciais.”

Nóbrega pontuou que a empresa inteligente faz planos para aprender, mudando de rota no timing adequado para continuar viva. “Ninguém sabe aonde esse mundo digital vai dar.” E deixou uma mensagem aos participantes: “Engaje-se na ação, arrisque-se. Banque o risco porque, senão, a obsolescência virá. É gestão de risco: faça! Essa é a recomendação principal e isso demanda tempo, exige líderes que banquem o risco da impopularidade – e esse é um recado aí para os gestores públicos –, mas faça”, finalizou.

A palestra foi mediada por André Saoncela, diretor de Relações Internacionais e Eventos do CFA.

 

Assessoria de Comunicação CFA

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