Como está a vida dos estudante em meio à pandemia?

Como está a vida dos estudante em meio à pandemia?

Nesse cenário cheio de incertezas, discentes do curso de Administração compartilham suas experiências e falam das expectativas e das angústias com as aulas virtuais e a possível retomada das atividades presenciais

Desde o final de fevereiro, quando o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado no Brasil, a vida no país já não é a mesma. Isolamento e distanciamento social, suspensão de atividades presenciais não essenciais, mudanças de hábitos, entre outros, passaram a fazer parte do dia a dia do brasileiro. Um dos segmentos mais impactados com a pandemia é o da educação. No ensino superior, professores e alunos de faculdades públicas e privadas tentam buscar alternativas para contornar a crise sem prejudicar demasiadamente a aprendizagem em um cenário ainda cheio de incertezas.

Walisson está no último semestre do curso de Administração.

O estudante do último semestre do curso de Administração da Faculdade Anhanguera de Ciências e Tecnologia de Brasília (Faciteb), Walisson Santos Soares, conta que desde o início da quarentena as aulas presenciais passaram a ser on-line. A Instituição onde ele estuda já conta com um sistema que possibilita o ensino remoto e, muito antes da pandemia, ele já tinha cursado algumas disciplinas a distância.

Mesmo com um notebook que, segundo ele, “não está 100%, mas atende as minhas necessidades”, e uma internet que não é a mais veloz, a adaptação para o ensino 100% digital foi tranquila para ele. “Consegui focar bem nos estudos. Tudo é questão de disciplina”, orienta o estudante. Para dar conta da demanda da faculdade e do estágio – que também passou a ser remoto -, Walisson separou sua rotina de estudos por turnos. “Estudo em média 1h30 pela manhã e 2h30 a tarde. A noite, são mais duas horas de estudos. Já nos finais de semana, gasto cerca de três a cinco horas, dependendo do decorrer do dia”, disse.

Retorno ao presencial

As faculdades privadas, em Brasília, estavam se preparando para retomar as atividades presenciais, mas um imbróglio jurídico trouxe ainda mais incertezas para professores e estudantes. Walisson teme uma volta sem planejamento. “Fico com um pouco de medo, pois não acho que estamos prontos para o retorno total. Não são todas as pessoas que têm consciência e cuidado”, alerta o estudante.

Apesar da preocupação com relação ao trabalho e ao cenário de incertezas, Walisson faz planos para o futuro. Atualmente, ele tem uma corretora de seguros e busca, no marketing, reforçar as vendas on-line. Além disso, Walisson tem um projeto de dança para pessoas com deficiência motora, visual e auditiva e quer colocar a ideia em ação para melhorar a vida desse público. Segundo ele, a vida de estudante de Administração vai muito bem. “Separo bem meus estudos e, principalmente, o meu tempo para poder ter uma melhor performance em tudo. É preciso aproveitar cada minuto, aprendendo coisas novas e criando novos hobbies”, conta. 

Enquanto isso, nas universidades públicas…

Maria Clara estuda na UnB e fala da expectativa das aulas remotas que vão começar no dia 17 de agosto.

Boa parte dos estudantes das universidades estaduais e federais do país ainda não migraram para o ensino a distância. Em junho, em entrevista para o Correio Braziliense, a reitora da Universidade de Brasília (UnB), Márcia Abrahão, afirmou que não há possibilidade de retorno físico em 2020. Após ouvir a comunidade acadêmica, a UnB constatou que cerca de 6% dos estudantes não têm computador ou tablet. O acesso à internet para 30% dos alunos também não é de boa qualidade.

Para garantir que a volta às aulas seja possível a todos, a UnB, com suporte do Ministério da Educação, resolverá essas lacunas e, no próximo dia 17, a instituição retomará as atividades de forma remota. A estudante do quarto semestre do curso de Administração, Maria Clara Amaral de Morais, ficou o primeiro semestre de 2020 inteiro sem aulas. Ela aproveitou o tempo livre para fazer um curso on-line, mas acha complicado concentrar-se nos estudos estando em casa.

Antes da pandemia, ela contava apenas com um smartphone. “Com o início do isolamento social e a necessidade de ficar em casa, acabei comprando um notebook, que está me auxiliando tanto no trabalho como nos estudos”, explica. Com relação à nova plataforma adotada pela UnB, ela tem ressalvas. “Estamos tendo bastante dificuldade em explorá-la, já que é extremamente diferente da anterior e as orientações não estão claras, dificultando o uso da plataforma”, alertou a estudante.

Com relação ao retorno da aulas remotas, Maria Clara está um pouco receosa. “Mas espero poder me dedicar ao máximo para fazer deste período uma oportunidade de grande aprendizado. Acho que o semestre poderá ser recuperado caso a plataforma escolhida pela UnB seja, de fato, eficaz. Como será uma nova experiência tanto para professores como para os alunos, espero que haja uma cooperação entre todos para concluirmos essa missão com êxito”, diz. 

O pulo do gato

Enquanto a pandemia não acaba e as instituições de ensino superior públicas e privadas definem suas estratégias para a retomada das atividades, é bom definir uma rotina para estudar em casa. Walisson aposta na disciplina, enquanto Maria Clara tenta se adaptar à nova realidade.

Quer saber mais? Confira as dicas que o CFA já deu para os estudantes que precisam estabelecer novas rotinas de estudos em tempos de pandemia. Clique aqui e confira.

Ana Graciele Gonçalves

Assessoria de Comunicação CFA