A inovação deixou de ser apenas uma estratégia para ganhar eficiência e passou a ocupar um lugar central na construção do futuro das organizações — e também na aproximação entre os países da América Latina. Esse foi o ponto de partida do painel que abriu a programação do segundo dia do Encontro Latino-Americano de Administração (ENLA) 2026.
Com o tema “Administração Viva: Conectando a América Latina através da Inovação”, o painel reuniu diferentes perspectivas sobre os impactos das transformações tecnológicas, os novos desafios da gestão e o papel dos profissionais de Administração diante de um cenário marcado por mudanças rápidas e pela crescente interdependência entre mercados, organizações e sociedades.
A discussão contou com a participação do Adm. Joubert Fidelis, do Dr. Eduardo de R. Francisco, da Fundação Getulio Vargas (FGV), e da Dra. Karoll Haussler C. Ramos, diretora da Consultoria Explain 360. A mediação ficou a cargo da Lic. Graciella Climent, ex-presidente da ATUADU-Uruguay.
IA em debate
Joubert começou provocando uma reflexão sobre Inteligência Artificial e seu impacto na vida profissional. “Ela tem sido utilizada em duas dimensões eficiência operacional e a apliação da percepção estratégica. As organizações mais competitivas combinarão as duas dimensões”, disse.
Ele continuou, reforçando que a IA não substitui a estratégia, “mas elas por ampliar a percepção estratégica”. “A IA ganha valor quando ajuda a revelar o que ainda não entrou na conversa”, comentou Joubert.
E qual o papel do líder nesse contexto? Segundo o palestrante, não dá para evitar a IA.Ele recomenda que os líderes comecem pela estratégia, pois a tecnologia sem a estratégia humana não resolverá os problemas. “A transformação mais importante não começa na ferramenta, começa na forma de pensar a decisão”, concluiu.
IA é uma questão de gestão
A questão da IA continuou em destaque na palestra conduzida pelo doutor em Administração da FGV, Eduardo de Rezende Francisco. Ele disse que a “transfomação pela IA não é apenas uma questão tecnológica”. “Da tecnologia ao impacto, o que realmente importa é como usamos a IA para tomar melhores decisões, como foco nas pessoas e na sociedade”, disse.
Eduardo foi além: trouxe para a discursão a importância da governança de IA. De acordo com o professor, a boa governança gera valor com segurança, confiança e propósito. E não parou por aí: durante a palestra, ele trouxe conceitos diferente e exemplos práticos de IA, além do ciclo de hype do Gartner e a IA. “A IA já superou o hype. O desafio agora é transformar potencial em valor real para a sociedade. A tecnologia amplia o que fazemos, mas liderança define por que fazemos, pois a IA pode ampliar a capacidade humana”, afirmou.
Cenário mundial
“Vocês estão sendo atropelados por essas mudanças?”, questionou Karoll Haussler no início da sua fala. Ela lembrou que a sociedade está vivendo no mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) e fez uma breve revisão sobre as revoluções que aconteceram. “Estamos na quarta revolução, que foca no Big Data, internet das coisas, entre outros. Mas já estamos entrando na quinta revolução, que foca na colaboração entre pessoas e máquinas”, disse.
A palestrante trouxe, também, as soft skills e hard skills demandados nesse cenário em constante transformação. Entre as competências técnicas destacadas estão o letramento digital avançado, análise e visualização de dados, domínio de tecnologias emergentes, automação e sistemas integrados. “Sou administradora, mas fui atrás de me aproximar da área de tecnologia”, falou Karoll.
O ENLA 2026 acontece em Brasília, de 9 a 11 de setembro. Promovido pelo Conselho Federal de Administração (CFA), em parceria com o Conselho Regional de Administração do Distrito Federal (CRA-DF), o evento reúne especialistas, dirigentes, professores, pesquisadores, estudantes e representantes institucionais em torno do tema “Pacto Latino-Americano pela Administração: Regulação, Inovação e Mercado”.
Ana Graciele Gonçalves
Assessoria de Comunicação CFA
