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“Nós vamos conseguir sair da crise, mas ainda não será nessas eleições”, alertou Wagner Siqueira

O exercício de política e poder no redesenho da gestão do Estado” foi o tema da palestra proferida pelo presidente do Conselho Federal de Administração (CFA), Wagner Siqueira, nesta sexta-feira, 8 de junho, no Fórum CFA de Gestão Pública. A mesa foi presidida pelo diretor de Formação Profissional do CFA, Mauro Kreuz.

O assunto democracia também foi abordada na palestra do presidente do CFA. Ele também comentou que a crise é motivada sobretudo pela escassez de liderança. “Nunca se falou tanto em líderes e liderança, mas nunca se formou tantos gerentes para a conformação e a rotina. Se o ambiente não for fértil, as terras não prosperarão”, disse, ressaltando que há uma crise de legalidade, de legitimidade e de licitude.

Outro problema é o descompasso entre tecnologia e a lógica das organizações. Wagner comentou que a tecnologia avança na velocidade da luz, mas a mentalidade das organizações anda no carro de boi. “A exacerbação da dimensão tecnológica deforma a cultura das organizações”, afirmou.

A organização é limitada de inúmeras formas. Uma delas é a burocracia. “Até para desburocratizar, o Brasil burocratiza. Cria um ministério da desburocratização”, criticou o presidente do CFA. A erosão da autonomia institucional é tolhida, ainda, pelos órgãos de controle e por grupos organizados de minorias. “Esses grupos de pressão se mantêm apartados uns dos outros, conflitam-se entre si”.

E qual o paradeiro do líder? A população busca, segundo Wagner por um “Sassá Mutema” ou um “caçador de marajás” e, nessa busca, acaba elegendo pessoas sem o perfil desejado para cuidar do Brasil. Nas empresas, os líderes de verdade raramente sobrevivem a um “sistema castrador”. O excesso de controle, mesmo que bem-intencionado, conduz, para o presidente do CFA, às “instituições lobotomizadas”. “O custo do controle é maior que o risco”, criticou.

Para concluir, Wagner destacou que é preciso gerar uma sociedade que garanta estabilidade ao processo de desenvolvimento do país. “Temos que olhar para frente e não para o retrovisor do passado. Creio que vamos conseguir, mas infelizmente ainda não será nessas eleições”, afirmou.