Pandemia trouxe novos desafios para os gestores

Pandemia trouxe novos desafios para os gestores

No ADM Webinar, especialistas foram unânimes: comunicação eficaz é essencial. Retorno ao trabalho pode trazer medos e angústias, mas um olhar mais humano para as equipes fará toda a diferença

A pandemia da Covid-19 trouxe muitos desafios para as organizações. Algumas precisaram paralisar suas operações e outras colocaram os funcionários em home office. De uma hora para a outra, a casa virou escritório de trabalho e residência para milhares de trabalhadores. Ninguém teve tempo para se organizar a nova realidade: ela chegou como um tsunami e impôs uma rotina excepcional, que tem exigido habilidades de colaboradores e gestores. Afinal, como gerenciar essas equipes durante e após a crise?

Essa e outras perguntas foram respondidas no ADM Webinar que o Conselho Federal de Administração (CFA) realizou nesta sexta-feira, 19 de junho. O evento contou com a participação do administrador e professor da Universidade Federal da Bahia, Adriano Peixoto; da especialista em Liderança e Gestão Estratégica de Pessoas, Grasielle Abrantes; e do diretor de Desenvolvimento Institucional do CFA, Diego da Costa. O debate foi mediado pela jornalista Elisa Ventura.

O debate começou com a observação de Grasielle sobre a atual situação que a pandemia trouxe. Para ela, essa realidade “não é uma sentença e sim o ponto de partida”. “Estamos diante de um fato novo, precisamos calibrar e saber qual ponto precisa ser melhorado e buscar diálogo com a equipe”, comentou. De acordo com Diego, a maioria das empresas tem problemas de comunicação. “É preciso desenvolver uma mente assertiva e criar novos objetivos”, afirmou o diretor do CFA.

Segundo Adriano, as pessoas ficaram perplexas quando o isolamento começou. O cenário de incertezas em torno da doença repercutiu no contexto organizacional trazendo muito medo. “Não sabemos como reagir, pois não temos todas  informações necessárias para tomar decisões. O que fazer? A maioria dos gestores ficaram perdidos porque não sabiam o que fazer em termos práticos e como agir diante da equipe”, ressaltou.

O professor disse, ainda, que, antes da crise, os gestores já não sabiam como lidar com aspectos psicológicos da equipe. “Se não sabíamos fazer isso antes, não vai ser agora”, alertou. Com relação ao trabalho, Adriano comentou que a pandemia provocou um grande experimento social. “As empresas passaram a perceber o que é ou não possível fazer”, pontuou.

Com a flexibilização do distanciamento social e o retorno ao trabalho presencial, os gestores terão um desafio: como lidar com a pressão para voltar à organização, com tantos medos? “A gente não sabe como lidar. Profissionais que retornarão às suas atividades mas não terão com quem deixar os filhos, por exemplo”, citou o professor, pontuando que esta geração viverá com estresse pós traumático. “Como estar de volta ao trabalho, como interagir com os colegas sem medo de pegar doença?”, questionou.

Esse medo é generalizado, segundo Diego. O receio aumenta com a possibilidade de uma demissão, mas o diretor do CFA reforça que esta é uma “variável incontrolável”. “A motivação é muito importante. Procure ser mais produtivo para fugir de um possível desligamento”, sugeriu.

Contudo, para Adriano, o medo do colaborador não é se “ele será ou não demitido, mas é a forma ele será tratado”. “Muitas organizações têm um discurso de que as pessoas são importantes, mas não as tratam com o respeito que elas merecem”, afirmou. Ele aponta, ainda, que nessa situação, o gestor de pessoas assume um papel delicado. Por ser a pessoa que intermediará a relação entre colaboradores e a alta direção, muita das vezes ele só poderá ouvir e não poderá fazer nada. 

Grasielle alertou para a necessidade de os gestores olharem para as próprias competências emocionais. “É preciso olhar para a gente e perceber nossos limites, ter resiliência. Qual é a minha inabilidade emocional que pode trazer, lá na frente, uma falha da comunicação? Qual é a minha competência que conecta conmigo e com o outro? Se não for assim, dificilmente esse gestor será um catalisador da mudança”, pontuou.

Durante o webinar, os participantes responderam os comentários e as perguntas do público. Muitas delas eram a respeito do home office e a volta às atividades presenciais. Diego ressaltou a importância de o gestor saber quem quer ou não retornar ao trabalho presencial na organização. “Sou defensor do diálogo”, justificou.

Adriano complementou afirmando que o gestor precisa levar em conta a natureza do trabalho e o perfil do colaborador. “Tem pessoas que tem capacidade de trabalhar em home office, mas tem outros que não conseguem.”, explicou.

O webinar está disponível na íntegra no CFAPlay. Clique aqui e confira.

Ana Graciele Gonçalves

Assessoria de Comunicação CFA